Cruz de estilo celta em Moate
Hoje é dia de
S. Patrício, padroeiro da
Irlanda, uma festa comemorada em todos os locais do mundo onde vivem Irlandeses ou descendentes destes. Desejo no entanto um dia feliz à todos os Irlandeses. E aproveito para homenageá-los, partilhando aqui algumas imagens de umas
mini-férias lindas que passei na República de Irlanda no mês de Novembro passado.
Chegamos à capital,
Dublin, já da parte da tarde. É uma cidade pequenina com aquele charme típico e sombrio dos países do Norte da Europa. Para quem estava a chegar como nós de Portugal, fazia um frio de rachar ! O céu apresentava aquela cor cinza tão frequente por lá...
Fábrica da cerveja Guinness em Dublin
Não nos demoramos muito por Dublin. A Irlanda é um país belo, mas as cidades principais - nem sequer a capital chega a ser tão grande como Leiria - não são o seu ponto forte. Tendem a uma certa austeridade cinzenta e oferecem poucos museus, monumentos, etc.
Dirigimos-nos para
Clifden, uma pequena vila da mítica região de
Connemara, considerada a mais bela de Irlanda, onde tínhamos alugado um quarto num
Bed & Breakfast encantador, o
Seamist House.
Após uma boa noite de sono num quarto confortável e bonito, tomamos um pequeno almoço magnífico preparado e servido pelos simpáticos donos da casa. Pão preto irlandês, ovos perfeitamente escalfados, compotas... Tudo fresquíssimo, caseiro e delicioso.
Clifden é uma localidade pequena e tranquila, com muito charme. Fica situada à beira mar, no meio de pastagens verdejantes, com as montanhas do Connemara em pano de fundo... Muitos Irlandeses e estrangeiros escolhem Clifden como destino de férias.
Conta pouco mais de 2000 habitantes, mas teve em tempos os seus momentos de glória pois foi lá que o célebre italiano
Guglielmo Marconi instalou a primeira estação de telégrafo sem fios do mundo. Em 1908, Jack Philipps, operador rádio do tristemente célebre paquete Titanic, juntou-se à estação onde trabalhou por três anos. Também foi lá que aterrou um dos primeiros voos transatlânticos, em Junho de 1919.
A região de Connemara - condado de
Galway - é conhecida pelas sua paisagens fascinantes de montanhas imponentes mirando-se nas águas límpidas de numerosos lagos. De vez em quando, no meio daquela natureza deslumbrante, descobrem-se alguns monumentos fabulosos, como este mosteiro de arquitectura rendada...
Se as cidades irlandesas não me conquistaram, pelo contrário adorei as pequenas aldeias e o campo, ex-libris daquele país lindo e intensamente verde.
A Irlanda é um dos mais pequenos países de Europa pela superfície, mas parece imenso quando o visitamos de automóvel, pois as estradas estreitas e em mau estado não permitam grandes velocidades...
Mas o que importa o facto das estradas irlandesas relembrarem as portuguesas de trinta anos atrás...? Nada, pois permitem passeios vagarosos que nos fazem desfrutar tranquilamente de paisagens de cortar a respiração...
Não gosto de comparar coisas diferentes, mas a Irlanda relembrou-me uma versão gigante das belíssimas ilhas portuguesas dos Açores. A mesma serenidade, os mesmos tons de verdes, a presença omnipresente do oceano, as brumas poéticas, as vacas a pastarem pelos penhascos... Lindo, simplesmente.
E depois, à noite, há os famosos pubs com as suas fachadas pintadas tão típicas. Os Irlandeses jantam cedo, geralmente em casa, pelas 18h00, e depois têm por hábito de ir beber cerveja - muita, ou whisky com os amigos naqueles locais escuros e aconchegantes onde se ouve música celta ao vivo e se conversa pela noite dentro.
Lowry's Pub em Clifden
A cerveja mais consumida é a famosa
Guinness, claro, uma preta com muita personalidade. Nem sei como é que conseguem beber tanta pois os preços são exagerados. Uma imperial (25 cl) custa 4 € ! Também se pode tomar refeições e petiscar nos pubs. A comida irlandesa é bem cara (não vi nenhum prato que custasse menos de 10 €; aliás, habitualmente, os Irlandeses só comem uma tigela de sopa acompanhada com muito pão preto e manteiga ao almoço) e francamente, não é nada de especial...

Como a Irlanda é uma ilha, eu pensava que iria comer peixe e frutos do mar excelentes. Mas enganei-me, pois quase toda a pesca se destina à exportação... Vêem-se de vez em quando uns mexilhões ou umas postas de bacalhau fritas (
fish'n'chips), uns camarões pequenos (e infelizmente enlatados...), mais raramente os lavagantes que esperava... Nada de estupendo, no entanto. E como o clima é relativamente frio e húmido, os vegetais locais também não primam pela diversidade: pastinaca, cenoura, batata, alho-francês, nabo e sobretudo couve de repolho são os que dominam a culinária irlandesa.
Em Irlanda come-se sobretudo carne, sendo a de ovelha - excelente, aliás - a mais comum. Entra na composição do
Irish stew, um guisado considerado como o prato nacional irlandês. Os patos gansos também são bastante apreciados (a gordura dos patos é muitas vezes usada no lugar do óleo), assim como a carne de vaca.
Além de darem carne muito boa, as vacas servem para a fabricação de queijos maravilhosos e diversificados, sendo os mais conhecidos o stilton e o cheddar.
Já referi que a comida irlandesa não me agradou muito... O melhor mesmo, lá, é fazer refeições somente compostas de queijos e/ou de salmão fumado. E os Irlandeses têm um dos melhores salmões selvagens do mundo, sem dúvida.
E para acompanhar, há sempre aquele pão preto nutritivo, o
Irish soda bread, muito bom barrado com a manteiga local, super cremosa e saborosa...
A Irlanda é sem dúvida um país que vale a pena visitar. Happy St Patrick's Day !